A divisão da Sally Beauty que abastece salões cai 2,4% — enquanto a loja do consumidor cresce 2,2%
A Sally Beauty divulgou nesta segunda (3) o terceiro trimestre fiscal de 2026: vendas praticamente estáveis em US$ 935,5 milhões, mas com direções opostas dentro de casa. O braço que vende para profissional recuou; o que vende para o consumidor final avançou.
A Sally Beauty Holdings divulgou em 3 de agosto de 2026 os resultados do terceiro trimestre fiscal de 2026. No consolidado, vendas líquidas de US$ 935,5 milhões, alta de 0,2%, com vendas comparáveis estáveis.
O número que importa para quem trabalha em salão está na abertura por divisão. A Beauty Systems Group — o braço que abastece profissionais e salões — faturou US$ 396,9 milhões, queda de 2,4%, com vendas comparáveis em −2,1%. Já a Sally Beauty Supply, a loja voltada ao consumidor final, faturou US$ 538,6 milhões, alta de 2,2%, com comparáveis em +1,6%.
A rentabilidade, porém, melhorou: margem bruta consolidada de 52,4% (alta de 90 pontos-base), margem operacional de 9,2% (alta de 80 pontos-base) e lucro por ação diluído de US$ 0,55 — 25% acima na base contábil e 8% na base ajustada.
O digital seguiu como o pedaço que mais cresce: US$ 110 milhões em e-commerce, alta de 11%, já representando 12% das vendas líquidas. A rede física encolheu de leve: 4.386 lojas, 39 a menos que um ano antes — 3.066 do formato Sally (−30) e 1.320 do BSG (−9).
"Nossos resultados do terceiro trimestre refletem o avanço da nossa estratégia de longo prazo e a força subjacente do nosso modelo operacional", afirmou Denise Paulonis, presidente e CEO da companhia. Para o ano fiscal de 2026, a empresa projeta vendas líquidas entre US$ 3,725 e US$ 3,733 bilhões, comparáveis de cerca de 0,5%, lucro operacional ajustado entre US$ 329 e US$ 335 milhões, lucro por ação ajustado entre US$ 2,04 e US$ 2,08 e geração de caixa livre de aproximadamente US$ 200 milhões.
Por que isso importa
Porque o resultado separa dois comportamentos que costumam ser lidos juntos. O consumidor final não parou de comprar beleza — a divisão que vende para ele cresceu. Quem segurou a mão foi o profissional: a divisão que abastece salão comprou menos. Em um único balanço, aparece o retrato de um canal profissional cauteloso, reduzindo estoque e recompra, num mercado em que o cliente segue gastando.
O que muda no salão
Se o profissional está comprando menos e o consumidor comprando mais — inclusive online, onde o e-commerce da Sally cresceu 11% —, parte do que antes era revenda do salão está migrando para a compra direta da cliente. Isso muda a conversa sobre o canto de produtos: não adianta ampliar prateleira para brigar em preço com a internet. O que sobra de vantagem para o salão é a curadoria (indicar o que resolve o problema daquela cliente) e o serviço agregado (aplicar, ensinar, acompanhar). Estoque parado, nesse cenário, é caixa preso.
✦ O que você leva daqui
- A divisão profissional da Sally Beauty caiu 2,4% no trimestre enquanto a loja do consumidor subiu 2,2% — sinal de canal profissional segurando compra, não de cliente gastando menos.
- Para o leitor comum: boa parte do produto de salão já está a um clique — mas quem indica o item certo para o seu cabelo continua sendo o profissional que o vê de perto.
- Para dono de salão: com e-commerce em 12% das vendas da Sally e crescendo 11%, competir em preço é perder — reduza mix, gire o que sai e cobre pela curadoria e pela aplicação.
Moral da história: Quando o balcão que abastece o salão encolhe e a loja do consumidor cresce, quem está no meio precisa decidir o que vende — e não só o que compra.