Laboratório da Henkel em Xangai passa a emitir laudo de reciclabilidade de papel aceito na União Europeia

O Packaging Recyclab de Xangai passou na auditoria oficial do cyclos-HTP Institute e ganhou acreditação para testar reciclabilidade de embalagem de papel segundo os padrões europeus. Com isso, exportadores da Ásia-Pacífico deixam de mandar amostra para a Europa e conseguem o laudo localmente, num momento em que a regulação europeia de embalagem aperta.

Laboratório da Henkel em Xangai passa a emitir laudo de reciclabilidade de papel aceito na União Europeia

O Packaging Recyclab da Henkel em Xangai passou na auditoria oficial do cyclos-HTP Institute e recebeu acreditação para conduzir testes de reciclabilidade de embalagem de papel segundo os padrões da União Europeia. Na prática, o laboratório passa a poder emitir laudos externos de avaliação reconhecidos na Europa para clientes de toda a região.

A unidade aplica dois protocolos europeus de teste de reciclabilidade de embalagem de papel, o CEPI/4evergreen e o do próprio CHI. Ela integra a rede global de Packaging Recyclab da empresa ao lado da unidade de Düsseldorf, na Alemanha, ambas dentro da estrutura de Inspiration Center da companhia.

"Marca um marco importante ao trazer as capacidades autorizadas de avaliação de reciclabilidade da Europa para mais perto dos clientes na Ásia-Pacífico", afirmou Alejandro Schoenhoff, vice-presidente de adesivos para embalagem da Henkel na Ásia-Pacífico.

O que está por trás disso

O motivo tem nome: PPWR, a regulação europeia de embalagens e resíduos de embalagem. Ela estabelece exigências sobre design da embalagem, desempenho de reciclabilidade, conteúdo reciclado, limites de substâncias perigosas e critérios de reúso.

Até agora, quem exportava da Ásia-Pacífico para a Europa precisava mandar amostra física para o outro lado do mundo para conseguir avaliação reconhecida. Isso significa semanas de ida e volta dentro de um cronograma de desenvolvimento que já é apertado. Testar localmente encurta o desenvolvimento e antecipa a clareza sobre acesso ao mercado.

Por que isso importa

Reciclabilidade de embalagem saiu do território do discurso de sustentabilidade e entrou no território da documentação. A pergunta deixou de ser se a embalagem é sustentável e passou a ser se existe laudo, emitido por instituição aceita, comprovando o que a marca afirma.

Esse é o mesmo movimento que já aconteceu com registro sanitário e com alegação de eficácia: primeiro é diferencial de marketing, depois é exigência com papel.

O que muda para quem exporta

Para a marca brasileira que mira Europa, a lição é de cronograma. Certificação de embalagem não é etapa final de lançamento, é etapa de desenvolvimento, e a infraestrutura de teste reconhecida está sendo montada primeiro na Ásia.

✦ O que você leva daqui

  • Se você acompanha o setor: a disputa por acesso ao mercado europeu está migrando da fórmula para a embalagem, e a moeda dessa disputa é laudo reconhecido, não promessa.
  • Se você tem marca própria e pensa em exportar: trate a avaliação de reciclabilidade como etapa de desenvolvimento, com prazo próprio no cronograma, e não como carimbo que se resolve depois que a embalagem já está fechada.
  • Se você só vende no Brasil: exigência europeia costuma virar padrão de fornecedor global alguns anos depois. Vale perguntar ao seu fornecedor de embalagem o que ele já consegue comprovar hoje.

Moral da história: Embalagem virou barreira de entrada: quem não consegue provar que o papel dela é reciclável perde o mercado antes mesmo de discutir a fórmula do produto.

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