Anvisa proíbe dois pós de disfarce capilar e manda apreender a cola de cílios Elite HS-16, todos sem registro sanitário
Três resoluções publicadas no Diário Oficial atingem produtos que estão na bancada de salão, barbearia e studio de cílios. A RE 3.488/2026 proíbe o Bunne Pó Fibra Capilar; a RE 3.489/2026 determina apreensão do Maycheer Hair Rich Shading Powder; e a RE 3.347/2026 alcança 37 itens da marca Bunny vendidos pela internet. A cola Premium Eleite Glue HS-16 também foi alvo de apreensão. O motivo em todos os casos é o mesmo: falta de regularização sanitária.
A Anvisa publicou um conjunto de resoluções que proíbem cosméticos comercializados sem registro sanitário no Brasil. Três delas atingem produtos de uso profissional, daqueles que ficam na gaveta da bancada e não na prateleira de revenda.
A RE 3.488/2026 trata do Bunne Pó Fibra Capilar e proíbe fabricação, distribuição, comercialização, divulgação e uso do produto. A RE 3.489/2026 trata do Maycheer Hair Rich Shading Powder e determina apreensão, além de proibir importação, fabricação, comercialização, divulgação e uso. A RE 3.347/2026 alcança 37 itens da marca Bunny, vendidos pela internet, com apreensão e proibição de fabricação, distribuição, comercialização, divulgação e uso.
Na mesma leva, a cola Premium Eleite Glue HS-16 foi alvo de apreensão, também por falta de regularização junto à Anvisa.
Por que isso importa
Os dois primeiros produtos são pós de fibra e de sombreamento capilar, usados para disfarçar rarefação e falhas no couro cabeludo. São itens de aplicação, não de venda: o profissional passa no cliente durante o atendimento. O terceiro é um adesivo de extensão de cílios, aplicado a milímetros do olho de quem está deitado na maca.
A ausência de registro não é uma formalidade de papel. Sem regularização, não existe o dossiê que comprova a segurança química da formulação nem a rastreabilidade de quem fabricou aquele lote. Na prática, o profissional que aplica está garantindo com o próprio nome um produto que ninguém garantiu antes dele.
Vale notar o canal: a RE 3.347/2026 aponta comercialização pela internet sem regularização sanitária. É por aí que a maior parte desses itens entra no negócio de beleza, no marketplace, pelo preço que chama atenção, em quantidade pequena, sem nota em nome do CNPJ.
O que muda na sua bancada
Produto proibido continua fisicamente idêntico ao produto regular. O frasco não muda, o rótulo não muda e o resultado na cabeça do cliente não muda no dia da aplicação. A única diferença visível está na consulta ao site da Anvisa, e ela só acontece se alguém do seu negócio tiver a tarefa de fazer essa consulta com data marcada.
Se a sua barbearia usa pó de fibra capilar ou o seu studio compra cola de cílios pela internet, a verificação desta semana é objetiva: pegar as embalagens que estão em uso, procurar o número de registro ou notificação, conferir a empresa responsável e checar se ela tem autorização de funcionamento ativa.
✦ O que você leva daqui
- Para quem é cliente: pó de disfarce capilar e cola de cílios são produtos de contato prolongado com pele e olho. Perguntar qual marca está sendo usada e se ela tem registro na Anvisa é uma pergunta legítima, não uma desconfiança.
- Para o dono de negócio: monte uma rotina semanal de 15 minutos para abrir a lista de proibições da Anvisa e cruzar com as marcas que você tem em uso. Deixe a tarefa com nome e dia fixo, porque proibição publicada e não lida tem o mesmo efeito prático de proibição que não existiu.
- Para quem compra em marketplace: exija nota fiscal em nome do seu CNPJ e guarde a embalagem com o lote. Sem os dois, você não consegue provar de quem comprou nem o que aplicou, e é exatamente essa prova que falta quando alguma coisa dá errado.
Moral da história: A proibição não bate na sua porta: ela sai no Diário Oficial e fica lá. O único jeito de ela virar decisão no seu estoque é alguém do seu time abrir a lista da Anvisa toda semana.