UE aplica multa recorde de € 550 milhões à AliExpress por não barrar cosméticos falsificados e perigosos
A Comissão Europeia multou a AliExpress em 550 milhões de euros (US$ 629 milhões) em 20 de julho de 2026, a maior penalidade já aplicada sob a Lei de Serviços Digitais da União Europeia. A apuração encontrou produtos falsificados e cosméticos perigosos que ficaram no ar por semanas, enquanto o sistema de autorização de marca da plataforma, criado para barrar falsificações, era ineficaz e fácil de burlar.
A Comissão Europeia aplicou, em 20 de julho de 2026, uma multa de € 550 milhões (cerca de US$ 629 milhões) à AliExpress, marketplace do grupo chinês Alibaba — a maior penalidade já imposta sob a Lei de Serviços Digitais (DSA), a principal legislação da União Europeia para responsabilizar plataformas online pelo que circula dentro delas. A punição vem poucos meses depois de a Temu ter sido multada em € 200 milhões por falhas parecidas, e reforça um padrão: Bruxelas está mirando diretamente os grandes marketplaces asiáticos de venda direta ao consumidor.
A apuração da Comissão concluiu que a AliExpress falhou em detectar e remover produtos ilegais — de cosméticos perigosos a brinquedos fora de norma e itens falsificados — que permaneceram disponíveis no site por várias semanas. O ponto central da investigação foi o sistema de "autorização de marca" da plataforma, criado justamente para impedir que vendedores comercializassem produtos falsificados: segundo o regulador, o mecanismo era ineficaz, mal dimensionado e facilmente contornado por vendedores dispostos a driblar as checagens.
Por que isso importa para quem compra insumo online
Salões, clínicas de estética e distribuidoras no Brasil recorrem cada vez mais a marketplaces internacionais para comprar desde embalagens e acessórios até cosméticos de marca — muitas vezes atraídos pelo preço baixo de plataformas como AliExpress e Temu. O caso europeu expõe, com números oficiais de um regulador, o que a Anvisa e a ABIHPEC já alertam há anos no Brasil: comprar cosmético de procedência não verificada nesses canais é comprar sem saber se o produto foi de fato fiscalizado, testado ou sequer registrado por quem diz tê-lo fabricado.
A Comissão deu à AliExpress um prazo até 20 de outubro de 2026 para apresentar um plano de correção. Se o regulador concluir, em dezembro, que as medidas propostas não resolvem o problema, a empresa pode enfrentar penalidades adicionais — o que sinaliza que a fiscalização europeia sobre esses marketplaces deve se intensificar, não arrefecer, nos próximos meses.
O que muda para quem revende ou indica produto
Para donos de salão e esteticistas que revendem cosméticos aos clientes, o episódio é um lembrete direto: a origem do produto vendido faz parte da entrega do serviço. Um cosmético comprado por metade do preço num marketplace sem rastreabilidade pode custar caro em reação alérgica, resultado abaixo do esperado ou dano à reputação do profissional que o recomendou — muito antes de qualquer fiscalização chegar até ele.
✦ O que você leva daqui
- A UE multou a AliExpress em € 550 milhões — maior punição já aplicada pela Lei de Serviços Digitais — por deixar cosméticos perigosos e produtos falsificados circularem por semanas na plataforma.
- O sistema de "autorização de marca" da AliExpress, criado para barrar falsificação, foi considerado ineficaz e fácil de burlar pelo próprio regulador europeu.
- Para quem compra ou revende insumo de beleza: preço baixo em marketplace sem rastreabilidade de origem é risco direto para o cliente e para a reputação do profissional — vale sempre confirmar procedência e registro antes de usar ou revender.
Moral da história: Quem revende sem checar a origem também está apostando a própria reputação — e agora, também o próprio bolso — na palavra de um fornecedor que ninguém nunca viu de perto.