Target encerra a parceria com a Ulta e monta a própria loja de beleza dentro de 600 lojas
A varejista americana reportou vendas líquidas de US$ 26,5 bilhões no segundo trimestre, alta de 5,3%, com vendas comparáveis de 3,8% e beleza crescendo em dígito alto. No mesmo movimento, o acordo dos espaços "Ulta Beauty at Target" se encerra em agosto de 2026, e a rede passa a operar o próprio Target Beauty Studio em mais de 600 lojas, com mais de 80 marcas, sendo 60 delas inéditas na rede.
A Target reportou o segundo trimestre com vendas líquidas de US$ 26,5 bilhões, alta de 5,3% sobre o ano anterior, e vendas comparáveis de 3,8%, acima do consenso de mercado, que esperava 2,4%.
Entre as categorias, beleza cresceu em ritmo de dígito alto, ao lado de alimentos e bebidas. A rede elevou a projeção para o ano fiscal de 2026: crescimento de vendas líquidas em torno de 5%, um ponto percentual acima do que projetava, e lucro por ação entre US$ 9,90 e US$ 10,90, contra a faixa anterior de US$ 7,50 a US$ 8,50.
O trimestre coincide com uma mudança estrutural na forma como a rede vende beleza. A Target e a Ulta Beauty concordaram mutuamente em não renovar a parceria dos espaços "Ulta Beauty at Target", e o acordo atual se encerra em agosto de 2026, o que fecha os 600 espaços que a Ulta operava dentro das lojas.
No lugar deles entra o Target Beauty Studio, conceito próprio da rede, previsto para mais de 600 lojas e para o site a partir do segundo semestre. A seleção anunciada reúne mais de 80 marcas globais e emergentes, das quais 60 inéditas na varejista, cobrindo cuidados com a pele, cabelo, perfumaria e maquiagem. O espaço prevê displays com sinalização educativa, lançamentos exclusivos e equipe dedicada a recomendação personalizada.
Por que isso importa
Durante anos, a leitura de mercado era que a Target precisava da Ulta para ter legitimidade em beleza de prestígio. O que o movimento mostra é o contrário: depois de operar 600 espaços com uma marca especialista dentro de casa, a rede concluiu que já sabe conduzir a categoria sozinha.
Repare no detalhe que dá o tom: 60 marcas novas de uma vez. Isso não é ajuste de sortimento, é construção de uma proposta editorial própria, com curadoria, sinalização e gente treinada. A Target não está só ocupando o espaço vago, está disputando o mesmo terreno de quem saiu.
O que muda no salão e na clínica
Existe um paralelo direto e desconfortável para quem tem espaço físico: toda vez que você aluga uma cadeira, cede uma sala ou entrega uma categoria inteira para um parceiro, você está terceirizando também o aprendizado daquele serviço. Enquanto o contrato dura, funciona. Quando ele acaba, quem fica com a cliente é quem tinha a relação, não quem tinha a parede.
A pergunta prática é: dos serviços que você não executa hoje, quantos você conseguiria assumir se o parceiro saísse amanhã? Se a resposta for nenhum, o parceiro não é parceiro, é fornecedor único, e fornecedor único define preço.
Vale também olhar o outro lado do movimento. A Target não improvisou a troca: preparou curadoria, treinamento e sinalização antes de virar a chave. Assumir uma categoria sem esse preparo costuma custar mais caro do que continuar terceirizando.
✦ O que você leva daqui
- Para o leitor comum: os espaços da Ulta dentro da Target acabam em agosto de 2026 e dão lugar ao Target Beauty Studio, com mais de 80 marcas, 60 delas novas na rede.
- Para o dono de negócio: liste os serviços que hoje dependem de um parceiro exclusivo. Cada um deles é um ponto onde você não controla nem o preço nem a relação com a cliente.
- Para os dois: a Target cresceu 5,3% no trimestre com beleza em dígito alto. Beleza continua sendo categoria de tráfego, não de vitrine.
Moral da história: Quem aprende a vender a categoria do parceiro acaba descobrindo que não precisa mais do parceiro.