Maquiagem cresce 9,1% e vira a categoria mais rápida da Puig, dona da Charlotte Tilbury
O grupo espanhol faturou € 2,35 bilhões no primeiro semestre de 2026. Perfume ainda responde por 73% do negócio, mas quem acelerou foi a maquiagem — enquanto o skincare quase parou.
A Puig — grupo espanhol dono de Charlotte Tilbury, Carolina Herrera, Byredo, Penhaligon's e Uriage — divulgou em 31 de julho de 2026 o balanço do primeiro semestre: € 2,35 bilhões de receita, alta de 4,4% em base comparável. Na base reportada, o avanço foi menor, de 2,4%. O lucro líquido caiu 4,4%, para € 262,8 milhões.
Mas o número que conta a história do semestre está na quebra por categoria. A maquiagem faturou € 359 milhões e cresceu 9,1% em base comparável — mais que o dobro do ritmo do perfume. Já o skincare fez € 279 milhões e avançou apenas 2,3%, com o segundo trimestre isolado em leve queda de 0,3%.
Por que isso importa
Perfume e moda continuam sendo o coração do grupo: € 1,7 bilhão, ou 73% da receita, com alta de 3,8% e lucro operacional de € 329 milhões (contra € 299 milhões no ano anterior). É a divisão que paga as contas. Só que é a menor delas que está correndo mais.
A maquiagem representa 15% da receita e foi puxada pela Charlotte Tilbury, que lançou no período o Pillow Talk Blushing Balm, o Exagger-Eyes Easy Eyeshadow Stick e o Unreal Highlighter. Vale o alerta de que crescer em receita não é o mesmo que crescer em resultado: o lucro operacional da maquiagem caiu para € 6,5 milhões, ante € 12,1 milhões no primeiro semestre de 2025 — sinal de que a expansão veio com investimento pesado em marca e ponto de venda.
No skincare o aperto foi maior: o lucro operacional despencou de € 21 milhões para € 4,2 milhões, mesmo com a Uriage crescendo dois dígitos nos seus principais mercados. Por região, a companhia relatou crescimento sustentado na Ásia-Pacífico, aceleração nas Américas e avanço do canal online. O conflito no Oriente Médio tirou € 14 milhões da receita, o equivalente a 0,6%.
O que muda no seu negócio
O CEO Jose Manuel Albesa afirmou que a "Puig entregou um primeiro semestre forte, ganhando participação de mercado em todas as categorias e geografias", e a empresa projeta seguir crescendo acima do mercado de beleza premium, com margem de EBITDA em linha com 2025.
Para quem atende, o recado prático é de mix. A maquiagem — categoria de ticket menor, recompra rápida e decisão por impulso — está acelerando mais que o skincare, que é onde quase todo salão e clínica concentrou revenda nos últimos anos. Isso não significa abandonar o cuidado da pele; significa que existe demanda represada em uma categoria que muitos pararam de oferecer. Um batom ou um iluminador na recepção não compete com o protocolo facial: ele fecha a experiência do atendimento e vira compra por hábito.
✦ O que você leva daqui
- Para quem consome: a maquiagem voltou a puxar o mercado premium — cresceu 9,1% na Puig, contra 2,3% do skincare no mesmo semestre.
- Para quem vende: revenda não precisa ser só skincare. A categoria de recompra rápida é justamente a que está acelerando, e ela combina com o fim do atendimento.
- Para quem tem negócio: cresça olhando o lucro, não só a receita. Na Puig, a maquiagem cresceu 9,1% e mesmo assim viu o lucro operacional cair pela metade — crescimento comprado com investimento tem prazo de validade.
Moral da história: Quando a categoria menor cresce três vezes mais rápido que a maior, ela não é um detalhe do portfólio: é o aviso de para onde o cliente está indo.