P&G compra a Thorne por US$ 3,8 bilhões e aposta que beleza agora começa por dentro
A dona de Pantene e Olay fechou a compra da Thorne, marca de suplementos nutricionais, por US$ 3,8 bilhões em dinheiro. A empresa deve faturar US$ 650 milhões em 2026 e tem 60% da receita vinda de consumidores com menos de 40 anos.
A Procter & Gamble anunciou em 4 de agosto de 2026 um acordo para comprar a Thorne por US$ 3,8 bilhões em dinheiro. A operação depende de aprovação regulatória e deve ser concluída no segundo semestre de 2026.
Quem vende é o fundo de private equity L Catterton, que havia comprado a Thorne em 2023 por US$ 680 milhões — ou seja, a marca mudou de dono por mais de cinco vezes o valor de três anos atrás.
Fundada em 1984, a Thorne produz suplementos nutricionais e ferramentas de saúde personalizada, incluindo o Taia, assistente de bem-estar movido a inteligência artificial. Tem laboratório de pesquisa próprio e fábrica na Carolina do Sul. Seus produtos são recomendados por dezenas de milhares de profissionais de saúde e usados por mais de 7 milhões de consumidores.
A curva de receita explica o preço: de US$ 229 milhões em 2022 para mais de US$ 500 milhões em 2025, com projeção de US$ 650 milhões em 2026. E o público não é o que se imagina para suplemento: cerca de 60% da receita vem de consumidores com menos de 40 anos.
"A Thorne fortalece nossa posição em bem-estar premium com uma marca confiável e respaldada pela ciência", afirmou Paul Gama, CEO da P&G Health Care.
Por que isso importa
Porque marca a distância que a indústria de beleza percorreu. O grupo que construiu império vendendo xampu, lâmina e sabão em pó está pagando bilhões por cápsula — e justificando a compra com "bem-estar premium" e respaldo científico. A fronteira entre cuidar da aparência e cuidar da saúde deixou de existir no orçamento do consumidor: é a mesma verba, decidida pelo mesmo critério.
O que muda no salão e na clínica
O dado dos 60% abaixo de 40 anos derruba a ideia de que suplemento é assunto de cliente mais velha. É a mesma cliente que senta na sua cadeira e que já pesquisa rotina, ingrediente e resultado. Isso abre conversa — e cobra responsabilidade: recomendação de suplemento é terreno de profissional habilitado, e o caminho seguro para salão e clínica é a parceria formal com nutricionista ou médico, com encaminhamento, e não o palpite no meio da escova. O que o seu negócio ganha aqui é relevância na conversa, não uma nova prateleira para empurrar cápsula.
✦ O que você leva daqui
- A P&G pagou US$ 3,8 bilhões pela Thorne — que valia US$ 680 milhões em 2023 — apostando que bem-estar premium é a próxima fronteira da beleza.
- Para o leitor comum: 60% da receita da Thorne vem de gente com menos de 40 anos, e suplemento sério exige indicação profissional — desconfie de quem promete resultado de pele em cápsula sem avaliação.
- Para dono de negócio: entre nessa conversa por parceria formal (nutricionista, médico) com encaminhamento — recomendar suplemento por conta própria é risco jurídico e de reputação, não oportunidade de margem.
Moral da história: Quando a dona de Pantene e Gillette paga bilhões por cápsula, o recado é que cuidar da aparência virou assunto de rotina interna — e não só de prateleira.