Divisão profissional da L'Oréal cresce 11,6% no semestre e é a mais rápida do grupo
A maior empresa de beleza do mundo faturou € 23,77 bilhões no primeiro semestre de 2026. O canal que vende para salão cresceu mais que o luxo, mais que a farmácia e mais que o supermercado.
A L'Oréal divulgou os resultados do primeiro semestre de 2026 com vendas de € 23,77 bilhões — alta de 5,8% na base reportada e de 6,8% em base comparável. Mas o número que mais interessa a quem vive de atendimento é outro: a Divisão de Produtos Profissionais, que vende para salão, cresceu 11,6% e foi a mais rápida das quatro divisões do grupo.
A comparação escancara o movimento. No mesmo semestre, a Beleza Dermatológica avançou 10,6%, a L'Oréal Luxe subiu 5,1% e a Divisão de Produtos de Consumo — a de supermercado e farmácia — ficou em 4,3%. Todas cresceram, mas foi o canal profissional que puxou a fila.
Por que isso importa
Produto profissional é vendido para dentro do salão: coloração, tratamento, linha de revenda na recepção. Quando essa divisão acelera mais que o luxo e mais que o varejo de massa, é sinal de que o dinheiro do consumidor está passando pela mão do profissional — e não só pela gôndola.
O resto do balanço mostra uma empresa girando bem: margem bruta de 74,8% (alta de 10 pontos-base), margem operacional de 21,3% (alta de 20 pontos-base) e ainda assim 70 pontos-base a mais de investimento em marca. O lucro líquido, excluindo itens não recorrentes, chegou a € 3.959,6 milhões (+4,7%), com lucro por ação de € 7,40 (+4,8%).
Por região, o crescimento veio de todos os lados: SAPMENA-SSA liderou com +13,8%, a América do Norte fez +6,7%, a Europa +6,1% e a Ásia do Norte +4,6%, refletindo a recuperação gradual do mercado chinês. O e-commerce cresceu dois dígitos, quase o dobro da velocidade do mercado.
O que muda no seu negócio
Dois movimentos de portfólio contam para onde o grupo está olhando. A L'Oréal fechou uma licença exclusiva de 50 anos com a Kering para a Gucci Beauty, com vigência a partir de 1º de julho de 2027 e sujeita a aprovação regulatória, e acertou a compra de participação majoritária na indiana Innovist — ou seja, aposta em fragrância de luxo de longo prazo e em mercados emergentes ao mesmo tempo.
O CEO Nicolas Hieronimus afirmou que a empresa mantém "forte momento" e se considera "excepcionalmente bem equipada para continuar superando o mercado". Para o dono de salão brasileiro, a leitura prática é de canal: se a marca profissional está crescendo dois dígitos globalmente, quem está atrás de condição comercial, treinamento e linha de revenda tem argumento — a indústria precisa do canal para sustentar esse ritmo.
✦ O que você leva daqui
- Para quem consome: o serviço profissional voltou a concentrar gasto — o canal de salão cresceu mais que o luxo e mais que o varejo de massa no semestre.
- Para quem vende: linha de revenda na recepção não é detalhe. É justamente onde a maior empresa de beleza do mundo está vendo o crescimento mais rápido.
- Para quem tem negócio: use o dado na negociação com o distribuidor. Canal em alta de 11,6% significa que a indústria tem interesse em te apoiar com treinamento, condição e material.
Moral da história: Quando o canal profissional cresce mais que o luxo, o recado é claro: a cadeira do salão voltou a ser o lugar onde a beleza acontece.