Galderma bate US$ 3,1 bilhões no semestre, cresce 24,6% e eleva a projeção do ano
A suíça dona de Restylane, Sculptra e Alastin superou pela primeira vez a marca de US$ 3 bilhões em um semestre e revisou para cima o guidance de 2026. A dermatologia terapêutica cresceu 67,9%, puxada pelo Nemluvio.
A Galderma — dona de marcas como Restylane, Sculptra, Alastin e Cetaphil — reportou US$ 3,134 bilhões em vendas líquidas no primeiro semestre de 2026, crescimento de 24,6% em moeda constante. É a primeira vez que a companhia suíça ultrapassa a marca de US$ 3 bilhões em um período de seis meses.
O EBITDA core somou US$ 802 milhões, com margem de 25,6% — uma expansão de 328 pontos-base em relação ao ano anterior. Com o resultado, a empresa elevou a projeção de 2026: o crescimento esperado de vendas líquidas subiu para a faixa de 19% a 21% em moeda constante, contra os 17% a 20% previstos antes. A margem de EBITDA core foi confirmada em cerca de 26%.
Por que isso importa
O crescimento veio distribuído entre as três divisões, e o desenho de cada uma diz algo diferente sobre o mercado. Estética Injetável cresceu 12,1%, Dermocosméticos 16,4% e Dermatologia Terapêutica 67,9%. Essa última foi puxada pelo Nemluvio, que sozinho fez US$ 433 milhões no semestre contra US$ 131 milhões um ano antes — passando, pela primeira vez, a responder por mais da metade das vendas da divisão.
"A Galderma entregou um primeiro semestre forte em 2026, com crescimento amplo em geografias e categorias de produto", afirmou o CEO Flemming Ørnskov.
No portfólio de injetáveis, o Restylane recebeu novas indicações aprovadas nos EUA e teve a seringa SmartClick lançada na China, além da terceira aprovação do SHAYPE (na Tailândia). O Sculptra cresceu dois dígitos nas duas geografias, foi lançado na Indonésia e aprovado na Índia e na Austrália. Já o Relfydess, a toxina de ação rápida, chegou a 33 mercados e teve seu primeiro lançamento asiático em Hong Kong — enquanto nos EUA o FDA emitiu uma carta de resposta completa apontando observações de fabricação.
O que muda no consultório
Um crescimento de 12,1% em estética injetável, num semestre em que o consumo geral anda travado em vários mercados, sinaliza que o procedimento estético saiu da categoria "supérfluo que se corta primeiro" e entrou na de manutenção recorrente. É o mesmo movimento que já aconteceu com o cabelo: o cliente adia o novo, mas mantém o que já faz parte da rotina.
Para clínicas, isso reforça a lógica do protocolo em vez da sessão avulsa. E a força da dermatologia terapêutica dentro de uma empresa de estética mostra onde a fronteira está se dissolvendo: quem trata pele e quem embeleza pele estão cada vez mais atendendo o mesmo cliente, no mesmo endereço.
✦ O que você leva daqui
- Para quem acompanha o setor: US$ 3,1 bilhões em um semestre e guidance elevado para 19%–21% mostram que a estética médica segue acelerando, não desacelerando.
- Para quem tem clínica: injetável crescendo 12,1% em ambiente de consumo fraco indica cliente em manutenção — venda plano e protocolo, não sessão solta.
- Para quem planeja portfólio: a divisão terapêutica cresceu 67,9%; tratar pele (não só embelezar) é a avenida de margem que as grandes estão abrindo.
Moral da história: Quando a estética injetável cresce dois dígitos em plena crise de consumo, o recado é que procedimento virou item de manutenção — não de luxo.