Estudo no BMJ liga Ozempic e Mounjaro a até 68% mais risco de queda de cabelo
Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia compararam prontuários de pacientes com diabetes tipo 2 e encontraram mais diagnósticos de alopecia entre quem usa GLP-1. A boa notícia: a queda observada é do tipo que costuma voltar a crescer.
Um estudo publicado em 22 de julho de 2026 no The BMJ encontrou associação entre os medicamentos da classe GLP-1 — semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro e Zepbound) — e uma taxa maior de queda de cabelo registrada em prontuário.
Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia analisaram registros eletrônicos de pacientes em tratamento para diabetes tipo 2 e compararam usuários de GLP-1 com usuários de duas outras classes de medicamento. Dois anos ou mais após o início do tratamento, as chances de um novo diagnóstico de alopecia foram 37% maiores que entre usuários de inibidores de SGLT-2 e 68% maiores que entre usuários de inibidores de DPP-4.
Em números absolutos, o risco segue baixo: as taxas de alopecia variaram de aproximadamente 3 a 9 casos por mil pessoas por ano. Entre as mulheres usuárias, a taxa foi de 5,44% com tirzepatida contra 3,63% com semaglutida.
Por que isso importa
O ponto mais importante para tranquilizar cliente: a queda observada foi majoritariamente do tipo não cicatricial — o folículo permanece intacto, o que abre a possibilidade de o cabelo voltar a crescer. Não é o tipo de perda que destrói a raiz.
Sobre o mecanismo, os autores apontam a perda de peso rápida e a restrição calórica como gatilhos. No texto do estudo: "A restrição calórica pode contribuir ainda mais para o estresse fisiológico e para deficiências de micronutrientes como ferro, zinco e biotina, que podem alterar o ciclo de crescimento do cabelo." Mudanças hormonais também podem ter papel, mas os pesquisadores dizem que é preciso mais investigação.
Os próprios autores reconhecem limites: a falta de informação clínica detalhada impediu avaliar gravidade, extensão, duração e se a alopecia reverte após a interrupção do tratamento. E, mesmo com risco absoluto baixo, eles registram que a associação "pode ainda influenciar a satisfação dos pacientes, a adesão e a decisão de iniciar ou continuar a terapia".
O que muda no consultório e na cadeira
Essa é uma conversa que já está chegando ao salão antes de chegar ao médico. A cliente que emagreceu rápido nos últimos meses e reclama que "o cabelo está caindo muito na escova" pode estar exatamente nesse cenário — e quem vê o couro cabeludo dela de perto, semana após semana, é o profissional de beleza.
O papel aqui não é diagnosticar nem opinar sobre medicação: é observar, registrar e encaminhar. Perguntar sobre mudança de peso recente na anamnese, fotografar a densidade para acompanhar evolução e orientar a cliente a levar o assunto ao médico que prescreveu é postura profissional — e é o tipo de cuidado que constrói autoridade.
✦ O que você leva daqui
- Para quem consome: se você usa GLP-1 e notou mais fios na escova, o risco existe e é documentado — mas a queda descrita é não cicatricial, ou seja, o folículo continua vivo. Leve ao médico, não pare a medicação por conta própria.
- Para quem atende: inclua "mudança de peso recente" na sua anamnese de cabelo. É a pergunta que explica muita queda inexplicada em 2026.
- Para quem tem negócio: acompanhamento de densidade com foto e histórico é serviço que se cobra. Vira protocolo de couro cabeludo, retorno agendado e cliente fidelizada.
Moral da história: Quem emagrece rápido pode perder cabelo no caminho — e é no salão, não no consultório, que essa queda aparece primeiro.