Estée Lauder fecha o ano com US$ 15 bilhões, volta ao lucro e chega a seis marcas bilionárias
A dona de La Mer, MAC e Jo Malone reportou vendas líquidas de US$ 15,0 bilhões no ano fiscal de 2026, alta de 5%, e lucro líquido de US$ 182 milhões depois de um prejuízo de US$ 1,1 bilhão no ano anterior. Perfumaria cresceu 10% em base orgânica, maquiagem ficou estável e a China continental subiu 9%.
A Estée Lauder Companies divulgou o resultado do ano fiscal de 2026 e o número que resume o ano é a virada de sinal: a companhia saiu de um prejuízo líquido de US$ 1,1 bilhão para um lucro líquido de US$ 182 milhões, ou US$ 0,50 por ação diluída.
As vendas líquidas do ano somaram US$ 15,0 bilhões, alta de 5% na base reportada e de 3% em base orgânica, que exclui efeitos de câmbio e de mudanças no portfólio. No quarto trimestre, as vendas chegaram a US$ 3,6 bilhões, com alta de 6% reportada e de 5% orgânica, e o lucro por ação ajustado do trimestre foi de US$ 0,39, contra US$ 0,09 um ano antes.
A margem operacional ajustada do ano ficou em 11,2%, contra 8,0% no exercício anterior, uma expansão de 320 pontos-base. Foi ali, mais do que na receita, que a recuperação apareceu.
Por categoria, em base orgânica no ano: perfumaria cresceu 10%, puxada pelas marcas de luxo; cuidados com a pele subiram 4%, com La Mer, The Ordinary e a própria Estée Lauder à frente; maquiagem ficou estável, o que já é melhora em relação ao ano anterior; e cabelo caiu 1%, com a queda da Aveda parcialmente compensada pelo avanço da The Ordinary.
Por região, também em base orgânica, a China continental cresceu 9%, o maior avanço do grupo, seguida por Ásia-Pacífico com 4%. Europa, Oriente Médio e África e as Américas cresceram 1% cada.
A companhia informou ainda que passou a ter seis marcas com faturamento acima de US$ 1 bilhão, com a entrada de Jo Malone London e TOM FORD nesse grupo. Para o ano fiscal de 2027, a projeção é de crescimento orgânico de 3% a 5% nas vendas, margem operacional ajustada entre 12,7% e 13,5% e lucro por ação ajustado entre US$ 3,10 e US$ 3,35.
Por que isso importa
A Estée Lauder é o termômetro do luxo em beleza. Quando ela volta a crescer puxada por perfume e por cuidado com a pele, com maquiagem estagnada, está dizendo em qual prateleira o consumidor de renda mais alta ainda aceita pagar caro.
E a ordem das categorias importa. Perfumaria com 10% e maquiagem em zero, no mesmo grupo e no mesmo ano, mostra que o dinheiro migrou do produto que aparece na foto para o produto que dura no corpo e se repete na compra.
O que muda no salão e na clínica
A leitura mais útil para quem atende é a do mix. Um grupo com seis marcas bilionárias não cresceu achando seis públicos diferentes, cresceu vendendo mais de uma coisa para o mesmo cliente. No salão, o equivalente é olhar quantos serviços e quantos produtos cada cliente da sua base consome hoje, e não quantos clientes novos entraram no mês.
Se a sua cliente só faz um serviço e nunca leva nada para casa, ela é uma cliente de uma categoria só. A perfumaria da Estée Lauder cresceu 10% porque tem recompra embutida. O seu equivalente com recompra embutida (manutenção, produto de casa, retoque marcado) é onde a margem aparece sem depender de agenda nova.
✦ O que você leva daqui
- Para o leitor comum: perfume foi a categoria que mais cresceu no maior grupo de beleza de luxo do mundo, com 10% de alta orgânica no ano, enquanto maquiagem ficou parada em zero.
- Para o dono de negócio: conte quantas categorias cada cliente da sua base consome. O crescimento da Estée Lauder veio de margem (de 8,0% para 11,2%) e de mix, não de volume novo.
- Para os dois: a China continental cresceu 9% e as Américas 1%, no mesmo grupo e no mesmo ano. Mercado maduro cresce devagar, e por isso é ali que a recompra vale mais que a captação.
Moral da história: Grupo grande não cresce vendendo mais para gente nova: cresce vendendo outra categoria para quem já é cliente.