Elemis, marca de spa britânica, se aproxima de venda por quase US$ 1 bilhão com plano de dobrar o faturamento
A L'Occitane negocia em exclusividade com o fundo Pai Partners a venda da marca que comprou em 2019. O plano apresentado prevê saltar de US$ 339 milhões para US$ 775 milhões em cinco anos.
A Elemis, marca britânica de skincare e tratamentos de spa fundada em 1990, está perto de trocar de dono. Segundo apuração publicada em 31 de julho de 2026, o Grupo L'Occitane — que comprou a marca em 2019 por US$ 900 milhões — negocia em exclusividade com o fundo francês Pai Partners, buscando um valor logo abaixo de US$ 1 bilhão. O Morgan Stanley assessora a operação.
O plano apresentado aos interessados é agressivo: sair de uma projeção de US$ 339 milhões em vendas para 2026 — contra US$ 306 milhões em 2025 — e chegar a US$ 775 milhões em cinco anos, ou seja, mais que dobrar de tamanho. Os vetores apontados são expansão nos Estados Unidos, ampliação de alcance na Europa, Oriente Médio e China e escala na linha de corpo.
Por que isso importa
A Elemis é conhecida pela linha Pro-Collagen e por protocolos de tratamento em spa — inclusive a bordo de navios de cruzeiro, canal que ajudou a construir a marca. É uma marca que cresceu de dentro da cabine para a prateleira, e não o contrário. Um fundo pagar perto de um bilhão por esse ativo diz algo sobre quanto o mercado valoriza uma marca cuja credibilidade foi construída no atendimento presencial.
O movimento acontece em um momento de transição interna. A cofundadora Oriele Frank deixou a empresa em fevereiro, após 33 anos. A outra cofundadora, Noella Gabriel, hoje CEO, disse à Forbes em abril que a companhia tinha mais de 50 produtos em desenvolvimento para lançamento nos três a cinco anos seguintes. O comprador em negociação não é estreante na categoria: a Pai Partners adquiriu a Beautynova, de cuidados capilares, em 2024.
O que muda no seu negócio
Quem trabalha com marca profissional precisa acompanhar troca de controle, porque ela costuma mexer com distribuição, condição comercial e política de canal. Um fundo que compra para dobrar o faturamento em cinco anos vai buscar volume — e volume, em beleza, quase sempre passa por abrir mais pontos de venda e mais mercados.
Há também uma leitura de posicionamento. A tese de valor da Elemis é a mesma de qualquer clínica ou spa bem construído: o tratamento é o que dá autoridade ao produto. Marca que nasce em maca e depois vira prateleira cobra mais caro do que marca que nasce em prateleira e tenta entrar na maca depois. Se o seu negócio faz protocolo próprio, isso é ativo — não custo.
✦ O que você leva daqui
- Para quem consome: a Elemis segue operando normalmente — troca de controle acionário não muda protocolo nem fórmula no curto prazo.
- Para quem vende: mudança de dono costuma vir acompanhada de mudança de distribuição e de meta comercial. Vale confirmar contrato e condição com o distribuidor antes de fechar o próximo ciclo.
- Para quem tem negócio: o tratamento presencial é o que sustenta o preço do produto. A Elemis está sendo avaliada em quase US$ 1 bilhão com uma marca construída na cabine, não na gôndola.
Moral da história: Marca que nasceu na maca de tratamento vale quase um bilhão porque o serviço não é o custo do negócio — é a prova de que o produto funciona.