Amorepacific e LG H&H vendem fábrica e subsidiária para reagir ao avanço das indies coreanas
As duas maiores companhias de beleza da Coreia do Sul estão fazendo caixa ao mesmo tempo: a Amorepacific vende a fábrica de suplementos de Anseong, que operava a 46% da capacidade, e a LG H&H coloca à venda a Haitai HTB, terceira maior empresa de bebidas do país. A pressão vem de marcas indies que crescem mais rápido.
As duas maiores companhias de beleza da Coreia do Sul estão fazendo a mesma coisa ao mesmo tempo: vendendo o que não é essencial para levantar caixa. Reportagem do The Korea Times de 21 de julho mostra Amorepacific e LG H&H enxugando portfólio sob pressão de marcas indies coreanas que crescem mais rápido, como APR e Goodai Global.
A Amorepacific está vendendo a fábrica de suplementos de Anseong, na província de Gyeonggi, construída em 1989 e incorporada em 2021 na compra da Aestura. Os números explicam a decisão: a taxa de operação da planta caiu para 46% no ano passado, a produção do primeiro trimestre foi de 31 bilhões de wones (cerca de US$ 21 milhões) — menos da metade da capacidade trimestral — e a produção de 2025 fechou em 171 bilhões de wones, queda de 7% sobre o ano anterior.
A empresa faz questão de dizer que não está saindo da categoria: a produção da marca VITALBEAUTIE migra para o Amore Beauty Park, em Osan. "Estamos mantendo o negócio de suplementos de saúde. É um dos nossos negócios centrais", afirmou um porta-voz. Em novembro, a companhia já havia vendido escritórios regionais em Busan, Daegu, Daejeon e Gwangju.
A LG H&H segue o mesmo caminho com um ativo maior: colocou à venda a Haitai HTB, subsidiária de bebidas que controla integralmente desde 2011 e que é a terceira maior do setor na Coreia, com sucos, refrigerantes e energéticos. A empresa faturou 343 bilhões de wones (cerca de US$ 233 milhões) em 2025 e responde por 7% do EBITDA do grupo. O leilão preliminar começa neste mês, com cartas de intenção esperadas até o fim de julho.
Por que isso importa
O K-beauty que explodiu no mundo já não é o das gigantes: são as indies, mais rápidas, mais baratas de operar e nativas do jogo de conteúdo. Observadores do mercado apostam que o dinheiro dessas vendas vai financiar aquisições no setor de cosméticos — ou seja, as gigantes estão trocando ativo industrial por marca, que é onde o crescimento está acontecendo.
O que muda no seu negócio
A lógica vale em qualquer escala. Ativo parado consome caixa em silêncio: a cabine que fica fechada metade da semana, o equipamento comprado no impulso da feira, a linha de produto que ocupa prateleira e gira uma vez por trimestre. A Amorepacific está vendendo uma fábrica com 46% de ocupação — o equivalente, na sua escala, à sala que só é usada às terças.
E há o recado de portfólio: as gigantes coreanas estão perdendo velocidade para quem é pequeno e ágil. Num salão, isso significa que a vantagem competitiva raramente está em ter mais serviços no cardápio, e sim em executar com rapidez e consistência os poucos que realmente giram.
✦ O que você leva daqui
- A Amorepacific vende a fábrica de suplementos de Anseong, que operava a 46% da capacidade, e a LG H&H coloca à venda a Haitai HTB, com 343 bilhões de wones de faturamento em 2025 e 7% do EBITDA do grupo.
- O movimento é reação ao avanço das indies coreanas, e a leitura do mercado é que o caixa vai financiar aquisições de marcas de cosméticos.
- Para dono de negócio: mapeie o que ocupa espaço com baixa ocupação — cabine, equipamento, linha de produto — e considere transformar ativo parado em caixa para o que realmente cresce.
Moral da história: Vender o que não gira não é derrota — é como se compra o que cresce.