Coty recebe US$ 400 milhões para devolver a licença da Gucci Beauty, e L'Oréal assume por 50 anos

Kering e Coty fecharam acordo para encerrar um ano antes do previsto a licença que a Coty detinha desde 2016 para fabricar e distribuir os perfumes e cosméticos da Gucci. A Coty recebe US$ 400 milhões pela saída antecipada, enquanto a L'Oréal assume uma licença exclusiva de 50 anos para a marca.

Coty recebe US$ 400 milhões para devolver a licença da Gucci Beauty, e L'Oréal assume por 50 anos

A Kering anunciou em 8 de julho de 2026 que a Gucci e a L'Oréal fecharam um acordo exclusivo de licenciamento de beleza válido por 50 anos — e que essa transição vai acontecer um ano antes do previsto. Para isso, a Coty, que detinha a licença da Gucci Beauty desde 2016, concordou em encerrar o contrato antecipadamente, com data de expiração original em 30 de junho de 2028 adiantada para 30 de junho de 2027.

Como compensação pela saída antecipada, a Coty vai receber US$ 400 milhões — sendo US$ 250 milhões pagos ainda em 2026 e até US$ 150 milhões adicionais a serem pagos até 30 de setembro de 2027. A L'Oréal cobre cerca de 70% dos custos de resgate antecipado e do estoque envolvido na transição. A nova licença da L'Oréal com a Gucci passa a valer em meados de 2027, sujeita a aprovações regulatórias.

Por que isso importa

O acordo é parte de uma aliança maior entre Kering e L'Oréal, avaliada em € 4 bilhões, anunciada em outubro de 2025 e concluída em março de 2026. Segundo Luca de Meo, CEO da Kering, "o acordo de hoje cria valor para Gucci, L'Oréal e Coty. Ele acelera a transição, permitindo que Gucci e L'Oréal comecem a moldar o próximo capítulo da Gucci Beauty um ano antes do planejado". Já Markus Strobel, Executive Chairman da Coty, afirmou que o acordo "entrega um desfecho favorável para concluir a licença da Gucci Beauty, permitindo à Coty realocar capital e focar em suas marcas prioritárias".

A Coty administrou a Gucci Beauty desde 2016, período em que o negócio cresceu mais de 60% em receita a partir de 2019. Para a Coty, que vem enfrentando pressão financeira, o encerramento antecipado da licença representa entrada imediata de caixa para reduzir dívida e reforçar o portfólio de fragrâncias e beleza prestige que a empresa mantém — como Chloé, Calvin Klein e Marc Jacobs.

O que muda para o mercado de licenciamento de luxo

Para a L'Oréal, assumir a Gucci Beauty por 50 anos — em vez do ciclo mais comum de 10 a 15 anos desse tipo de contrato — sinaliza uma mudança na forma como as grandes casas de beleza corporativa tratam ativos de moda de luxo: não mais como aposta de médio prazo, e sim como propriedade estratégica de longuíssimo prazo. Esse movimento tende a acelerar decisões similares entre outras marcas de moda que hoje têm beleza licenciada por terceiros, pressionando negociações de renovação antes do vencimento natural do contrato — como já aconteceu aqui.

✦ O que você leva daqui

  • A Kering encerrou um ano antes do previsto a licença de beleza da Gucci com a Coty, mediante pagamento de US$ 400 milhões, para transferir o contrato à L'Oréal por 50 anos.
  • O acordo é parte de uma aliança de € 4 bilhões entre Kering e L'Oréal, fechada em março de 2026 — mostra que grandes grupos de beleza estão dispostos a pagar caro para garantir marcas de moda de luxo em contratos ultralongos.
  • Para quem trabalha com marca própria licenciada (perfumaria, cosmético, franquia de marca de moda): o caso reforça que contratos de licenciamento vêm sendo renegociados cada vez mais cedo quando o valor estratégico da marca aumenta — vale rever cláusulas de saída e reajuste no seu próprio contrato antes do vencimento.

Moral da história: Quando duas gigantes trocam a licença de uma marca de luxo por US$ 400 milhões, o recado é claro: beleza de grife virou ativo grande demais para deixar em contrato de médio prazo.

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