Preço de corte de cabelo varia até 1.070% entre salões de uma mesma cidade, mostra pesquisa
Levantamento do Mercado Mineiro em 45 salões de Belo Horizonte encontrou corte feminino cobrado entre R$ 40 e R$ 468 — uma diferença de mais de dez vezes na mesma cidade. A pesquisa reforça que localização, estrutura do espaço e qualificação da equipe explicam boa parte da disparidade de preço no setor.
Uma pesquisa realizada pelo Mercado Mineiro em 45 salões de beleza de Belo Horizonte, entre os dias 17 e 19 de junho de 2026, encontrou o corte de cabelo feminino sendo cobrado por valores entre R$ 40 e R$ 468 — uma diferença de até 1.070% para, em tese, o mesmo tipo de serviço.
Na média, o preço do corte feminino teve uma leve queda: de R$ 139,42 em outubro de 2025 para R$ 136,21 em junho de 2026, uma retração de cerca de 2% no período. Ainda assim, a variação entre o estabelecimento mais barato e o mais caro segue expressiva dentro da mesma cidade.
Segundo a pesquisa, fatores como localização do salão, estrutura física do espaço e nível de qualificação da equipe ajudam a explicar boa parte dessa disparidade de preço — o que sugere que o mercado já precifica, ainda que de forma informal, a experiência completa oferecida ao cliente, e não só a execução técnica do corte.
Por que isso importa
Uma variação de mais de dez vezes no preço do mesmo serviço, dentro da mesma cidade, mostra que ainda existe muito espaço para o consumidor comparar preços antes de escolher onde cortar o cabelo — e, do lado do salão, que apenas "copiar" o preço do concorrente da esquina pode significar deixar dinheiro na mesa ou cobrar menos do que sua estrutura de custo exige.
O que muda na gestão do salão
A fórmula básica de precificação recomendada por consultores do setor é simples: preço de venda = custo total do serviço dividido por (1 – margem de lucro desejada), somando custo fixo por hora (aluguel, água, luz, internet divididos pelas horas trabalhadas), custo variável do serviço (produtos, descartáveis) e o valor da hora de trabalho do profissional. A recomendação é revisar a tabela a cada 3 a 6 meses e avisar a clientela sobre reajustes com pelo menos 15 dias de antecedência, para preservar a transparência e reduzir atrito.
✦ O que você leva daqui
- Corte feminino variando de R$ 40 a R$ 468 numa mesma cidade mostra que "preço da concorrência" não é referência segura — calcule seu próprio custo.
- Use a fórmula custo total ÷ (1 – margem desejada) para chegar num preço que cobre estrutura, produto e sua hora de trabalho — não só o que parece "razoável".
- Revise a tabela de preços a cada 3-6 meses e avise a clientela com pelo menos 15 dias de antecedência para reajustes — transparência reduz atrito e cancelamento.
Moral da história: Preço baixo não é estratégia se você não sabe seu custo — e preço alto só se sustenta se a experiência justificar a diferença.